Este documento orientador tem
o objetivo de auxiliar os professores a lidarem com os alunos possuidores de
Distrofia Muscular de Duchenne. O acompanhamento a longo prazo de qualquer
tratamento realizado com o aluno, deverá ser orientado por uma equipa de
técnicos multitransdisciplinares de diversas áreas, que por sua vez organizará a
coordenação de todo o conhecimento necessário e adequado ao quadro de evolução
da própria doença.
Muitos alunos portadores de Distrofia Muscular
de Duchenne não realizam a fisioterapia necessária para o seu bem-estar e
muitos pais não têem o conhecimento necessário para gerir ou auxiliar as
dificuldades dos seus próprios filhos. Toda a informação exposta tem a necessidade de um acompanhamento técnico que por sua vez se encontra
disponível em diversos sites.
A
Motricidade Muscular Da Distrofia Muscular Duchenne
O
músculo esquelético produz a motricidade necessária para o
desenvolvimento do movimento biomecânico humano, quer em situação dinâmica quer
em situação estática, nomeadamente a posição da postura bípede do indivíduo
possuidor de distrofia muscular Duchenne. A capacidade de coordenação é essencial
à motricidade do aluno para que possa realizar uma diversidade de movimentos
necessários às suas tarefas diárias. Cada músculo é composto por um grande
número de fibras. O número e a proporção de cada tipo fibra em cada músculo
depende essencialmente da produção da força produzida num determinado movimento
biomecânico. Os músculos apresentam estruturas inseridas e fixadas nos ossos, por partes designadas de tendões e ligamentos. Quando o músculo realiza uma
determinada contração concêntrica, estática ou dinâmica desencadeia um
determinado movimento biomecânico produzido pelas alavancas constituídas pelas
estruturas ósseas e musculares. A Distrofia Muscular de Duchenne afeta as
fibras musculares que por sua vez são substituídas por gordura que restringe a
sua função muscular. A velocidade varia mais precocemente ao longo do tempo e desencadeia
alterações corporais que dependem cada vez mais do estado de evolução da
própria doença muscular.
As Contraturas
Musculares
Os músculos encontram-se interligados aos ossos pelos tendões, enquanto os
ligamentos são constituídos por tecidos que envolvem as articulações e se
inserem nos ossos através das suas inserções e fixações, que por sua vez
produzem e controlam os diversos movimentos pelos seus graus de liberdade biomecânicos
produzidos pelas alavancas articulares osteomusculares. Quando os músculos se
tornam enfraquecidos não são solicitados, ficam encurtados pela inércia dos
ligamentos e tendões. Isto significa que a articulação fica rígida ao nível das
extremidades das suas alavancas biomecânicas osteomusculares em que uma fica maior
do que a outra, cujo resultado apresenta uma deformidade numa posição fixa.
Se a articulação torna-se rígida e inflexível prejudica seriamente a sua
funcionalidade muscular devido ao músculo tornar-se cada vez mais fraco por
falta de produção de motricidade. Na eventualidade da distrofia muscular
Duchenne evoluir ao nível de contraturas frequentes nas articulações dos
tornozelos, dos joelhos e dos quadris que se carateriza pela posição do andar
na ponta dos pés derivado de um alargamento de uma curvatura produzida na
articulação do joelho, de forma a manter o equilíbrio da marcha.
Antes do
aparecimento das contraturas é
essencial o aluno iniciar a sua fisioterapia logo que possível, pois a
aplicação de exercícios psicofisioterapêuticos será mais fácil ao nível da prevenção
psicomotora, do que no tratamento das contraturas que se agravam cada vez mais
ao longo do tempo, quando o aluno permanece mais tempo sentado.
À medida
que a fraqueza é crescente prevalece maiores dificuldades no padrão do andar e
no vestir. Existem técnicas psicoterapêuticas que podem ajudar o aluno a manter
a sua motricidade dentro de um limite possível, de forma possa criar a sua
autonomia necessária, sem causar stress e evitando assim o déficit psicomotor
ao nível educativo e recreativo.
As investigações para um tratamento específico
incide essencialmente nas articulações que não devem estar rígidas nem
deformadas devido ao surgimento de contraturas, de forma a manter os músculos
fortalecidos por um maior tempo possível.
Fisioterapia
A fisioterapia
traduz um tratamento através da aplicação de exercícios físicos por massagem,
hidroterapia e por fim exercícios hipopressivos. Tem um papel importante para
manter a sua função muscular na sua melhor eficácia cujos alvos principais são:
1)
Fornecer uma avaliação psicomotora do aluno para que possa contribuir de futuro
com novas informações para novas medidas psicofisioterapêuticas
2)
Minimizar o desenvolvimento de contraturas através da aplicação de exercícios
passivos psicomotores durante as sessões de psicomotricidade;
3) Manter
a força muscular nos exercícios psicomotores realizados;
4)
Prolongar a mobilidade e a sua funcionalidade por meio de ortoses, coletes
previamente prescritos por especialistas em escolioses.
O tratamento fisiopsicoterapêutico deverá ser
realizado por um profissional especializado, mas alguns exercícios simples
podem ser realizados no domicilio. Para obter melhores resultados, é preciso
fazer determinados exercícios de forma regular, que devem fazer parte da vida
normal do doente. Este boletim descreve os exercícios fundamentais que podem
ser orientados pelos professores ou pais que cuidam dos alunos com distrofia
muscular Duchenne. É preciso definir estratégias metodológicas
transdisciplinarmente com os técnicos que trabalham com o aluno possuidor de
distrofia Duchenne de forma este possa seguir as instruções necessárias para a
melhor
prática destes exercícios.
Exercícios
De Alongamento Passivo
É
uma técnica simples usada para alongar os músculos que se encontram tensos ou
encurtados. Os exercícios de alongamento passivo realiza-se de uma forma lenta
e energética de modo a conseguir o máximo de extensão, essencial à manutenção da
posição articular durante 30 segundos. O aluno deve estar completamente
relaxado e por sua vez deve-se instruí-lo a não realizar qualquer movimento
brusco, nem a resistir a qualquer exercício de enorme intensidade. Se o movimento
realiza-se com demasiada rapidez pode acontecer que o aluno faça resistência ou
se assuste. Os exercícios de alongamento não devem provocar dor, mas uma
sensação de estiramento suave que deve ser mantida por um determinado tempo de
forma evitar a lesão da articulação e dos músculos, na eventualidade seguirem
rigorosamente as instruções orientadas pelos respetivos técnicos. Devem ser
realizados com firmeza de modo não agressivo. Alguns alunos apercebem da
firmeza da pessoa que se encontra a realizar os exercícios e posteriormente
interrompe-os frequentemente com receio. Deste modo desenvolvem-se as
contraturas irreversíveis que causam maior desconforto. Para benefício do aluno
é fundamental continuar a realizá-los, tendo sempre em conta o nível de firmeza
associada à componente afetiva. Apesar de ser indiferente à hora em que se
realizam os exercícios, é necessário fixar-se uma rotina padronizada para que
não sejam esquecidos. Os movimentos devem ser executados todos os dias de
preferência, após um banho quente e relaxante. Embora alguns alunos protestem
um pouco, mas uma vez estabelecida a rotina os alunos ganham confiança e
geralmente param de contestar.
a rotina os alunos ganham confiança e
geralmente param de contestar.
Os
Tornozelos
O aluno deve estar deitado de
costas na posição decúbito dorsal completamente relaxado. O técnico que realiza
os exercícios deve-se encontrar de lado de forma colocar uma mão sobre a
planta do pé com os dedos firmes virados para o calcanhar. O técnico não deve
forçar o polegar com os outros dedos, entretanto, a outra mão deve manter o
joelho esticado de forma suave e firme, com intenção de executar um ângulo reto
de 900 graus realizado pela trajetória do pé orientada para o plano
anatómico frontal do técnico, de forma evitar a flexão da articulação do joelho.
Na eventualidade do aluno encontrar alguma resistência ou tração, deve-se
manter na posição por uns momentos de forma aumentar gradualmente o movimento
biomecânico da articulação do pé para obtenção de um ganho de mais alguns
graus, mantendo assim uma nova posição durante uns 30 segundos como apresenta a
figura
O
movimento deve ser repetido pelo menos 20 vezes em cada pé. O técnico deverá
ter o cuidado de verificar se o aluno realiza este movimento na sua totalidade
de forma evitar a execução parcial do movimento dos dedos.
Os
Joelhos
Os joelhos apresentam
contraturas mínimas até que o aluno passe a utilizar a cadeira de rodas. É
importante prevenir as contraturas na articulação do joelho, atendendo que
prejudicam intensivamente o padrão da marcha. Para alongar os joelhos, o aluno
deve encontrar-se na mesma posição do exercício anterior. Na figura 2, o técnico
agarra firmemente com uma mão no tornozelo do aluno de forma de execução
idêntica ao exercício anterior e por fim utiliza a outra mão que exerce uma
determinada força sobre a articulação coxa-femoral localizada mesmo acima do
joelho.
De forma semelhante ao exercício anterior o pé
move-se para cima, enquanto o tornozelo fica levantado de modo a realizar a
extensão do joelho. A outra forma de esticar os joelhos será permanecer o aluno
deitado de barriga (decúbito ventral) para baixo, com a utilização de uma
almofada sobre as coxas e não sob os joelhos, como apresenta na Figura 3. Este
quadro situacional faz com que o peso do membro inferior e do pé realizem a
extensão até ao joelho. Na eventualidade de se encontrar numa posição deitada
de bruços poderá ser uma forma mais simples do aluno realizar o exercício. Poderá
ser um exemplo a realizar com os membros inferiores fora da cama, enquanto o
indivíduo assiste a um programa de televisão.
Os Quadris
Os quadris são controlados por
alguns dos mais poderosos músculos do corpo. Os dois grupos musculares que
elevam ou fletem a coxa são designados por flexores do quadril. Os abdutores
do quadril tem uma maior tendência para apresentar uma contratura, que por sua
vez tem uma maior ação externa nos movimentos de abdução e de lateralidade.
Existem 3 formas de alongar os músculos flexores do quadril, através de exercícios
que devem ser realizados 10 vezes em cada lado ,na seguinte forma:
1) O aluno fica deitado numa posição lateral com os membros inferiores esticados. O técnico que realiza os exercícios coloca-se atrás dele e põe uma mão sobre o quadril de modo a fixar o corpo e por fim utiliza a outra mão sob a coxa do mesmo lado. O exercício aplicado sobre o quadril deve ser realizado por um movimento que puxa para trás o membro inferior através de uma trajetória orientada ao próprio corpo do técnico, de forma poder esticá-lo lateralmente.
1) O aluno fica deitado numa posição lateral com os membros inferiores esticados. O técnico que realiza os exercícios coloca-se atrás dele e põe uma mão sobre o quadril de modo a fixar o corpo e por fim utiliza a outra mão sob a coxa do mesmo lado. O exercício aplicado sobre o quadril deve ser realizado por um movimento que puxa para trás o membro inferior através de uma trajetória orientada ao próprio corpo do técnico, de forma poder esticá-lo lateralmente.
2) Nesta situação o aluno é colocado de barriga para
baixo de forma o técnico apoie uma mão sobre as nádegas enquanto a outra mão
assenta sob a coxa acima do joelho, levantando- a para cima e mantendo todo o
membro inferior esticado.
3) Desta forma, o aluno fica de barriga para cima. O
membro inferior oposto não vai ser alongado, mas será fletida até ao peito de
forma manter-se firme. Se for possível, deve-se manter o aluno na mesma posição
de forma o técnico possa por uma mão sobre a coxa do lado que vai alongar,
orientando o movimento acima do joelho de forma empurra-lo sucessivamente para
baixo. Os outros
músculos do quadril que se interconectam com a região posterior e inferior das
costas ao membro inferior, ajudam a controlar o ângulo da pélvis e
provavelmente podem afetar a curvatura da coluna. A tensão destes músculos pode
ser observado no padrão do andar, na eventualidade do aluno virar o pé para
dentro do corpo. Para alongar estes músculos, o aluno deve-se encontrar numa
posição deitado de costas, no qual o técnico orienta os exercícios de
lateralidade com os seus membros inferiores. O aluno eleva o membro inferior
que não vai ser fletido de modo que não impeça os movimentos do outro membro
inferior. O membro inferior que não vai ser exercitado desloca-se num sentido
descendente até à linha média do corpo em relação ao outro membro. A
articulação do joelho deve -se encontrar fletida. Este exercício deve ser
repetido 10 vezes em cada membro inferior .
As Articulações Dos Cotovelos e
Punhos
Nos
estágios iniciais e intermediários da Distrofia Muscular de Duchenne é raro que
estas articulações tenham algum comprometimento. Entretanto quando o aluno
ficar mais tempo na cadeira de rodas é importante iniciar o alongamento destas
articulações para evitar a sua rigidez articular. Todos os exercícios devem ser
realizados 10 vezes em cada lado.
a) O braço do técnico fixa-se
firmemente com uma mão no braço do aluno com a palma virada para cima. Depois
alonga-se suavemente o cotovelo para baixo.
b) Os movimentos de pronação e
de supinação do membro superior, embora não sejam muito amplos, são
fundamentais, porque permitem levar a mão à boca ou alcançar objetos com maior
facilidade. Para preservar estes movimentos é necessário suster o braço, situação
idêntica à do exercício anterior, com uma única diferença, da outra mão do
aluno seja realizada com os dedos esticados. O técnico deve girar de modo que a
palma da mão fique orientado para cima ou para baixo mantendo desta forma o
ombro fixo.
c) O punho é estirado agarrando o antebraço
do aluno com uma mão. Coloque a palma da sua outra mão do técnico contra a
palma da mão do aluno de forma empurrar o punho para trás. O técnico deverá
procurar manter os dedos esticados do aluno, pois, se estiver com o punho
fechado poderá eventualmente desaparecer a ação do alongamento dos tendões.
Ombros
Quando o aluno se encontrar numa situação de se vestir é importante
fazer o movimento completo do ombro com elevação do braço acima da cabeça de
forma procurar manter o ombro paralelo à cabeça.
Ortoses
noturnas
Como o nome sugere são acessórios utilizados à noite
para ajudar na prevenção das contraturas. Elas podem ser feitos de vários
materiais. É necessário serem utilizadas nos tornozelos e que sejam feitos de
forma confortável de baixo peso com medida ajustada. Investigações mostram que o
uso de ortoses noturnas associado aos exercícios de alongamento será a forma
mais eficaz de retardar o desenvolvimento de contraturas. Não substituem os
exercícios de alongamento mas são úteis antes do surgimento de contraturas.
Correções
Posturais
Por
causa da fraqueza muscular os portadores de distrofia Duchenne passam a adotar
posições viciadas como apresenta na fig. 8. É extremamente importante que se
procure corrigir estas alterações posturais.
A Posição De Sentado
Quando estiver sentado os pés devem
ficar num ângulo de 90º com a cadeira. O assento da cadeira deve ser
firme e não demasiadamente largo. As costas da cadeira devem ser firmes e
planas, mas confortáveis, inclinadas no máximo a 10º do ângulo reto
de 900. A profundidade do assento deve ser equivalente ao tamanho da
nádega de modo que o aluno não fique sentado com parte da nádega. Os
braços da cadeira deve estar a uma altura que permite que o aluno descanse os
cotovelos, sem que ter de encolher os ombros. Por vezes as almofadas são
necessárias para melhorar a adaptação da cadeira. Quando sentado, o aluno
deve distribuir o peso entre ambas as nádegas. Muitas vezes é necessário um conjunto de almofadas para ser colocadas entre os joelhos de forma manter a posição. A escolha
correta da cadeira é essencial para o bem-estar do aluno, tendo em conta que
este deverá adaptar-se às diversas fases de evolução da doença. A atenção
precoce destes cuidados contribui preventivamente as contraturas e determinados
desvios de coluna nomeadamente a escoliose.
É
importante movimentar o joelho em linha reta da melhor maneira possível tendo o
cuidado de observar o aluno que não se encontra inclinando para trás.
Este
exercício pode ser realizado com maior intensidade se o membro inferior for
mantida e estendida até a uma contagem de 10 vezes. O aluno deverá repetir 20
vezes a ação com um descanso de 30 segundos em cada tentativa realizada.
Tendo
conseguido atingir estes objetivos, o exercício poderá ser realizado
posteriormente com a colocação de um peso, como exemplo um saco de 1Kg de
arroz ou de açúcar. É muito
importante ressalvar que os exercícios contra a uma resistência ou peso não
devem ser feitos na eventualidade do aluno não ser capaz de fletir
completamente o joelho.
Deitado
de Lado
O aluno
deita-se de lado podendo colocar uma almofada atrás das costas dele de forma a
dar mais suporte caso seja necessário. Com os membros inferiores juntos e
esticados, levantar um membro inferior para cima e para trás, afastando-se o
mais possível do membro inferior que fica sobre a cama. Deve-se
repetir 10 vezes este exercício que pode ser complexificado quando o membro
inferior se encontrar mais afastada, mantendo-se assim até à contagem do
técnico até cinco. Posteriormente, o aluno vira-se para o outro lado e repete o
mesmo exercício com o outro membro inferior com as mesmas 10 repetições.
Deitado
de Bruços
a) Primeiro um membro inferior e depois o
outro membro inferior é elevado acima da altura do quadril. Deve-se dar atenção
dada ao membro inferior que se eleva de forma evitar a rotação do corpo.
Deve-se repetir o exercício 10 vezes.
b) Na mesma
posição, elevar cada membro superior para cima, com a articulação do cotovelo
completamente esticada e repetir 10 vezes cada exercício para cada membro
inferior.
Deitado
de costas
Tentar sentar sem usar os
membros superiores que por sua vez devem encontrar fletidos atrás do tórax. O
queixo deve estar dobrado de modo que pareça que o aluno rolou para cima.
Repetir o exercício 5 vezes. Há duas maneiras de realizar este exercício
nomeadamente:
- Com membros inferiores e
superiores que podem ser assegurados de forma auxiliar o aluno, mas deve-se ter
certeza que o aluno execute o exercício com o máximo esforço que pode, em que o
técnico não puxe o corpo apenas para cima.
- Pode iniciar-se o exercício sem o aluno estar
completamente deitado, colocando as almofadas por trás das costas e da cabeça.
Sentado
no chão ou numa superfície dura
Apoiado sobre as mãos o aluno vai tentar elevar as nádegas do solo. Quando não
conseguir, colocar uns livros sob as mãos . Este
exercício deve repetir-se 5 vezes.
Exercícios
de Resistência Global
Os exercícios anteriores tem
como finalidade reforçar alguns grupos musculares, especialmente os músculos
dos quadris e dos joelhos. No entanto, nos movimentos do dia-a-dia, usamos
combinações de músculos que trabalham ao mesmo tempo, por exemplo, quando
andamos ou nos sentamos. Frequentemente fazemos movimentos de rotação ou
giratórios. Os exercícios são especialmente úteis para os
músculos dos membros inferiores e superiores. A resistência que se oferece não
deve impedir que o aluno realize os movimentos completos
Membros Inferiores
Neste
exercício, levanta-se o membro inferior e empurra-se o ombro para o lado oposto. O técnico pede ao aluno que empurre o seu
membro inferior para voltar a ficar em extensão. O joelho deve-se manter sempre
em extensão. Repetir o exercício 10 vezes em cada membro inferior.
Membros Superiores
Manter cruzado o membro superior do
aluno, como se fosse tocar na orelha do lado oposto. Pede-se ao aluno que
empurre o seu membro inferior para fora e para baixo, de modo a voltà-lo para
junto do corpo. Repetir 10 vezes em cada em
membro superior.
Os
exercícios devem ser feitos todos os dias sem criar ansiedade ao aluno. É
importante manter a sua confiança, realizando os exercícios lúdicos como se
fosse um jogo em que o técnico regista os resultados obtidos. Além destes exercícios, a
atividade física em geral e o desporto podem ajudar a manter a forma física por
um maior tempo possível. A hidroterapia em piscina aquecida é a atividade
ideal. É também útil a equoterapia na eventualidade do aluno ainda possuir
força suficiente para andar a cavalo ou andar de bicicleta.
O Excesso De Exercícios
Não
existe receitas exatas para ansiedades naturais. Os exercícios de treino nunca devem
ser realizados até ao ponto de fadiga. É bastante improvável que o técnico
possa induzir ao aluno a fazer exercícios em excesso. Os exercícios sugeridos
devem ser considerados apropriados e com maior facilidade de realização.
Existem outras maneiras de se conseguir o mesmo objetivo à medida que a doença
progride, devem ser realizados mais suavemente consoante a avaliação técnica
realizada diariamente ou em cada dia de sessão psicomotora.
A rotina deverá
ser flexível na realização dos exercícios e deverá ser adaptado à atividade de
cada aluno conforme o seu contexto familiar
Exercícios
Respiratórios
Quando inspiramos a caixa torácica alarga-se
de forma o ar penetrar nos pulmões ocupando um determinado espaço extra criado.
Quando expiramos os músculos relaxam e a elasticidade do pulmão empurra o ar
para fora. Os músculos expiratórios são usados quando forçamos o ar para fora
em situações de tosse. Os músculos respiratórios são afetados em fases mais
avançadas da doença.
O
Treino dos Músculos Inspiratórios
O treino pode ser realizado com equipamentos
simples e baratos. É uma maneira simples de incentivar as respirações profundas
e geralmente os alunos apreciam a utilização destes dispositivos.
A Respiração
Profunda
O aluno deve estar
comodamente semi sentado, sob a cabeça e os ombros. Os joelhos devem ficar
fletidos. O técnico deve colocar as mãos de tal forma que os
dedos fiquem virados para as costas de forma suave mas firme. Deverá apertar a
parte mais inferior da caixa torácica, considerada a parte mais baixa do peito.
Pede-se ao aluno que encha ao máximo o peito de ar de forma empurrar as
costelas e as mãos do ajudante. Deverá tentar manter o ar nos pulmões durante
vários segundos. E repetir o exercício 10 vezes.
Drenagem
Postural
Muitos
alunos não conseguem eliminar as secreções respiratórias, essencialmente quando
se encontram resfriados. A drenagem postural é de utilidade extrema e
realiza-se por um conjunto de almofadas duras ou com cobertores. Coloca-se de
barriga para baixo o aluno sob o conjunto de almofadas de modo que o peito
fique inclinado para baixo num ângulo de 45º .
O aluno deve
permanecer nesta posição cerca de 10 a 20 minutos. Durante esse tempo, pede-se
para respirar profundamente. Deverá o aluno realizar um intervalo entre cada
respiração de forma não ficar com tonturas.
Esta
posição baixa da cabeça é inadequada para indivíduos mais velhos. A posição pode ser usada com o aluno deitado de lado mas com apoio de um
travesseiro.
Tosse
Estimulada
Também
é útil para eliminar as secreções pulmonares. Pode fazer-se enquanto
faz-se a drenagem postural, ou então
com o aluno sentado numa posição inclinada para a frente. Orienta-se o aluno
para que respire profundamente algumas vezes para que depois tussa. Esta situação
ajuda a eliminar as secreções mais espessas desde a parte mais profunda dos
pulmões até à garganta, para serem cuspidas. Depois de ter tossido 2 ou 3
vezes, deve descansar e respirar normalmente por algum tempo. Deve repetir-se
várias vezes, intercalando períodos de respiração profunda. Se um dos pais ou
ajudante apertar fortemente as costelas com as suas mãos, enquanto ele tosse
ajudará no esforço do aluno. Este procedimento deve ser realizado após
orientação de um fisioterapeuta.
Parada
da Deambulação
A
parada da deambulação ocorre quando a fraqueza muscular progride mas pode ser
precipitada em doenças debilitantes ou fraturas. Numa etapa inicial o aluno
necessitará de auxílio para deambular grandes distâncias e manter a deambulação
em casa. O uso de ortoses e cirurgias ortopédicas podem ser necessárias para
prolongar a deambulação.
Christopher Brandão, 2016
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